Por Vinicius Alencar via Centro MAGIS Anchietanum
O Centro MAGIS Anchietanum, em São Paulo (SP), realizou neste mês de maio o encerramento do curso de aprofundamento em Eneagrama, concluindo um percurso formativo, de três módulos iniciado em março desse ano, marcado por experiências de escuta, reflexão, espiritualidade e amadurecimento humano-afetivo. A formação reuniu jovens e adultos de diferentes espaços pastorais e comunitários, fortalecendo uma experiência coletiva de cuidado de si e das relações.
Ao longo dos encontros, os participantes aprofundaram o conhecimento sobre o Eneagrama como ferramenta de autoconhecimento integrada à espiritualidade cristã. Mais do que um estudo sobre perfis de personalidade, a proposta buscou favorecer um processo de leitura da própria interioridade, ajudando cada pessoa a reconhecer padrões emocionais, mecanismos de defesa, potencialidades e caminhos de crescimento humano e espiritual.
A formação aconteceu em parceria com o Núcleo de Aprofundamento Cristão do Eneagrama (NACE), com assessoria dos padres dehonianos Daniel Aparecido, SCJ, e José Ronaldo, SCJ. A metodologia articulou conteúdos teóricos, leitura de textos, momentos de oração, partilhas em grupo e exercícios práticos de percepção de si, permitindo aos participantes integrar reflexão, experiência e espiritualidade.
Durante o percurso, o Eneagrama foi apresentado como uma ferramenta que pode contribuir para processos de reconciliação consigo mesmo, com os outros e com a própria história. Nesse sentido, a espiritualidade apareceu não como algo separado da vida concreta, mas como um caminho de maior consciência, verdade interior e liberdade.
A proposta dialoga profundamente com a espiritualidade inaciana, especialmente na busca pelo discernimento e pela atenção aos movimentos interiores que atravessam a experiência humana. Ao reconhecer os próprios automatismos, fragilidades e desejos mais profundos, os participantes foram convidados a perceber também os apelos de Deus presentes na própria existência e nas relações cotidianas.
O encerramento do curso foi marcado por um clima de gratidão e síntese da caminhada realizada. Muitos participantes destacaram como o processo possibilitou novos olhares sobre si mesmos e sobre as relações interpessoais. “Foi uma experiência que ajudou a compreender melhor minhas reações, meus limites e também minhas potencialidades. O Eneagrama, unido à espiritualidade, abriu caminhos muito concretos de crescimento humano”, partilhou uma das participantes.
A experiência também possui impacto direto em iniciativas desenvolvidas pelo Anchietanum, especialmente na Escola dos Afetos, projeto que trabalha temas ligados à educação emocional, cultura do cuidado, vínculos humanos e formação integral das juventudes. Nesse contexto, o Eneagrama tem sido utilizado como instrumento que auxilia voluntários e participantes a desenvolver maior consciência afetiva e relacional, favorecendo práticas de escuta, empatia e acompanhamento.
A utilização do Eneagrama na Escola dos Afetos contribui para compreender que os afetos não são apenas emoções isoladas, mas dimensões constitutivas da experiência humana que atravessam o modo como cada pessoa se relaciona consigo mesma, com os outros, com o mundo e com Deus. Assim, o processo formativo ajuda a construir relações mais saudáveis, menos violentas e mais abertas ao diálogo e à alteridade.
Além do crescimento pessoal dos participantes, a formação fortalece a atuação de agentes pastorais, acompanhantes, educadores e colaboradores envolvidos em espaços de cuidado e formação humana. Em tempos marcados por relações fragilizadas, sofrimento emocional e dificuldades de pertencimento, iniciativas como essa tornam-se importantes espaços de cultivo da interioridade e de humanização das relações.
A experiência se conecta à missão do Centro MAGIS Anchietanum, integrante da Rede Inaciana de Juventude, ao promover processos formativos que integram fé, vida, espiritualidade e autoconhecimento. Em sintonia com os eixos da Pedagogia da Formação e da Espiritualidade, o curso reafirma o compromisso de formar jovens e adultos mais conscientes de si, reconciliados com a própria história e capazes de construir relações mais humanas, compassivas e comprometidas com o cuidado da vida.
VEJA TAMBÉM:
Rolê Pastoral: um espaço em rede para pensar, dialogar e qualificar a missão com as juventudes
Jovens aprofundam a própria história de vínculos em encontro vocacional



