Centro MAGIS Anchietanum marca presença em encontro dos parceiros do SEFRAS no dia das Boas Ações

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Rede Inaciana de Juventude e Rede Jesuíta de Educação estiveram presentes no Museu da Língua Portuguesa participando de diálogo sobre justiça e voluntariado com a Ação Social Franciscana (SEFRAS)

Por Vinícius Alencar via Centro MAGIS Anchietanum

No contexto do Dia das Boas Ações (21/05), a Companhia de Jesus em São Paulo, representada pelas Redes Inaciana de Juventude, através do Centro MAGIS Anchietanum e Jesuíta de Educação, através dos Colégios São Luiz e São Francisco, participou de uma atividade promovida pela Ação Social Franciscana (SEFRAS), realizada no Museu da Língua Portuguesa.

O encontro reuniu organizações sociais, instituições educativas e redes parceiras que atuam junto aos diversos espaços de atendimento do SEFRAS em São Paulo. Mais do que um encontro institucional, o momento foi marcado pela partilha de experiências concretas de presença junto às populações vulnerabilizadas, pela escuta dos desafios sociais emergentes e pela construção de novas possibilidades de colaboração em rede.

A participação da Companhia de Jesus neste espaço revela algo que atravessa profundamente sua identidade apostólica: a compreensão de que a fé cristã não pode existir desvinculada da justiça. Desde a Congregação Geral 32, quando os jesuítas afirmaram que “a missão da Companhia hoje é o serviço da fé, do qual a promoção da justiça constitui uma exigência absoluta”, tornou-se impossível pensar a espiritualidade inaciana separada das realidades humanas concretas, especialmente das feridas sociais produzidas pela desigualdade, pela exclusão e pela cultura do descarte.

Por isso, o compromisso social da Companhia não nasce de uma lógica filantrópica ou meramente assistencial. Nasce de uma experiência espiritual que reconhece que Deus continua se revelando na história, sobretudo nos rostos vulnerabilizados, nos territórios periféricos e nas existências feridas pela negação da dignidade. Estar nesses espaços não significa apenas “ajudar os pobres”, mas permitir-se ser deslocado pela realidade do outro, questionado pelas estruturas que produzem sofrimento e convocado a uma conversão pessoal, comunitária e institucional.

Nesse horizonte, o voluntariado ocupa um lugar profundamente formativo. Não como prática de caridade superficial ou como experiência episódica de sensibilização social, mas como caminho pedagógico de encontro, reciprocidade e transformação. Em tempos marcados pela lógica do desempenho, do individualismo e da espetacularização das ações solidárias, torna-se necessário questionar modelos de voluntariado que reduzem a experiência social a consumo emocional, turismo de pobreza ou produção de imagem.

A experiência inaciana de voluntariado busca justamente romper com essa superficialidade. Não se trata de ir ao encontro do outro como quem leva respostas prontas ou ocupa um lugar de superioridade moral. Trata-se, antes, de criar vínculos capazes de humanizar, escutar, aprender e reconhecer no outro uma presença que interpela. O encontro verdadeiro desinstala. Faz perceber que a injustiça não é um problema distante, mas uma estrutura que atravessa a sociedade e exige posicionamento ético, político e espiritual.

Foi nessa perspectiva que, durante o encontro, Giovani do Carmo, coordenador do Eixo de Pedagogia da Formação do Anchietanum, partilhou a experiência do Projeto de Voluntariado Inaciano Latino-Americano, iniciativa que articula juventude, espiritualidade, inserção sociocultural e formação para a cidadania continental.

O projeto nasce da convicção de que acompanhar os jovens hoje exige mais do que oferecer conteúdos ou experiências isoladas. Exige ajudá-los a desenvolver uma consciência crítica sobre o mundo, favorecendo experiências concretas de encontro com diferentes realidades sociais, culturais e humanas da América Latina. Em um continente marcado por profundas desigualdades, violências históricas e múltiplas exclusões, o voluntariado inaciano propõe uma espiritualidade encarnada, capaz de unir contemplação e compromisso, discernimento e ação transformadora.

Ao partilhar a experiência do projeto, destacou-se que o voluntariado inaciano não busca formar “salvadores do mundo”, mas sujeitos conscientes de sua responsabilidade histórica. Jovens capazes de compreender que solidariedade não é paternalismo; que justiça não se reduz à compaixão momentânea; e que transformação social exige permanência, escuta, análise crítica da realidade e compromisso coletivo.

A longa parceria entre o SEFRAS e o Anchietanum se insere exatamente nesse horizonte. Ao longo dos anos, ambas as instituições vêm construindo caminhos comuns de presença junto às juventudes, populações em situação de vulnerabilidade e territórios periféricos. Uma parceria que não se limita à execução de projetos, mas que expressa uma visão comum de sociedade e de formação humana: a convicção de que toda experiência educativa autêntica deve produzir sensibilidade social, consciência ética e compromisso com a dignidade da vida.

Em um cenário social frequentemente marcado pela indiferença, pelo isolamento e pela naturalização das desigualdades, iniciativas como esta reafirmam a urgência de formar pessoas capazes de reconhecer que não existe espiritualidade verdadeira sem compromisso com a realidade. A espiritualidade inaciana, nesse sentido, não conduz à fuga do mundo, mas à capacidade de habitá-lo de maneira mais consciente, reconciliada e comprometida.

A presença da Companhia de Jesus neste encontro também manifesta concretamente as Preferências Apostólicas Universais, especialmente o chamado a caminhar com os pobres, descartados e vulnerabilizados; acompanhar os jovens na construção de um futuro cheio de esperança; e colaborar na construção de uma cultura do cuidado e da reconciliação.

Mais do que desenvolver ações sociais, trata-se de cultivar uma presença. Uma presença que escuta antes de falar, que aprende antes de ensinar e que compreende que a justiça nasce, sobretudo, quando alguém se deixa afetar profundamente pela realidade do outro.

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